Voando livre no por do sol - Pedra da Gávea - verão 2014

Rio de Janeiro , 3a feira - 28 de janeiro de 2014

Olá galera do SUP ,
Atualmente eu tenho dividido o meu tempo entre as aulas, passeios e travessias de SUP, e os voos duplos panorâmicos de instrução
com asa delta na Pedra Bonita - que certamente é um dos melhores lugares para a pratica do voo livre no mundo .
Por isso hoje eu quero compartilhar com vcs um pouco dessa experiencia maravilhosa, postando aqui as fotos desse voo de ontem no pôr do sol de verão, com a minha sortuda aluna Raiza ... Essas imagens na postagem abaixo falam mais do que qualquer palavra !

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Travessia Country clube - Iate Clube/ RJ





No meio do dia 7 de abril de 2008 entrou um vento sudoeste bem forte no Rio de Janeiro, mexendo bastante o mar ainda quase sem ondas .

Como eu havia combinado com meu amigo Arnaldo Borges uma visita ao "Boat Show" naquela noite, achei interessante a idéia de ir remando de São Conrado até o local do evento na marina da Glória, o que seria a maior distancia remada por mim de "sup" até então .

Porém; como o Arnaldo não poderia ir comigo , êle sugeriu que eu deixasse a minha roupa e toalha no seu carro em frente ao seu escritorio que fica na quadra da praia na rua Aníbal de Mendonça, para que no resgate no Iate Clube eu pudesse tomar uma chuveirada e trocar de roupa para de lá seguirmos com êle nossos amigos Paulo Linhares e Bernardo Blanquier para o evento.

Liguei para alguns amigos já com alguma experiencia nas remadas de "sup", mas já estava convencido de que iria sozinho quando o meu amigo e arquiteto preferido Ricardo Hachyia confirmou que iria comigo, o que me deixou eufórico só acreditando mesmo quando êle apareceu com a prancha no rack do carro em frente ao Country Club no posto 9 em Ipanema .

Na ocasião êle estava apenas começando no "sup", o que me deixou impressionado pela sua disposição em encarar todo o longo trajeto , ainda mais pelas condições do mar bem mexido ...

Apesar da redução considerável no percurso achei que ainda assim seria uma remada forte, apesar da corrente e do vento totalmente favoráveis propiciando o "downwind" ; ou seja , o popular vento de pôpa, que nos empurraria em todo o trajeto, ao contrário do que sábiamente me advertira o meu amigo e bom conhecedor dos velejos na baía de Guanabara desde garoto - Paulo Linhares ( Paulinho "Nêga" ) quando estávamos prestes a partir , afirmando com convicção que, certamente teríamos que encarar o vento sudoeste contra na reta final no trajeto entre o Pão de açucar e a chegada no Iate clube, o que combinado com a maré vazante no mesmo horário poderia nos trazer sérias dificuldades ....

Ansioso para começar logo a aventura, argumentei que o "sup" rema muito rápido e que remando perto dos costões não deveríamos ter problemas ! Lêdo engano (...)

Só fui acreditar que êle tinha razão, quando já cansado e com aprox. 1hora e 30' de remada forte atravessei com bastante dificuldade a praia do Forte da Urca, isso depois de uma travessia ótima e bem veloz por tôda a extensão da praia de Copacabana até o forte do Leme , surfando nos "carneirinhos" fortes do vento sudoeste que me empurravam bastante em direção a baía de Guanabara, o que eu nunca havia feito antes ...

Já começava a escurecer depois que venci com bastante dificuldade a travessia da praia do Forte da Urca , quando cheguei na pior parte da travessia remando quase "colado" no costão em frente a uma fortaleza antiga, aonde eu mal progredia no percurso de pé na prancha .
No começo achei que intensificando a remada eu superaria tudo fácilmente, mas a partir dali a cada minuto eu me lembrava das sábias palavras de advertencia do Paulinho "Nêga" Linhares , ( que foi um "ídolo" pra mim durante anos de voo livre em São Conrado) , adquiridas na pratica do iatismo na infancia e adolescencia ali mesmo na baía da Guanabara, mais exatamente ali aonde eu começava a me preocupar a cada minuto que passava sem conseguir passar a tal da fortaleza ... Quando eu cansava e reduzia o vigor das remadas a prancha andava pra trás, a ponto de pensar na hipotese de voltar em direção a praia do Forte, o que para mim seria uma derrota naquele momento vindo de tão longe e já tão perto do meu destino que era sede do Iate Clube .

Passados uns 10 minutos remando com força total sem conseguir sair do lugar resolvi deitar na prancha , quando vi uma traineira das grandes vindo do Iate Clube em minha direção com todos os seus tripulantes na beirada do barco, e gritando para eu desistir e subir na traineira pois eu não conseguiria sair dali remando de jeito nenhum ... Eles tentaram me convencer e vendo que eu não desistia , a traineira deu meia volta e veio de novo chegando mais perto ainda, quando dava para ouvir o barulho do motor engrenando a marcha ré para assim conseguir compensar a corrente fortíssima por causa da combinação citada pelo sábio "Nêga" : maré vazante forte + vento sudoeste forte contra (...)

Finalmente, depois de uns 15 minutos consegui chegar mais perto da pedra e ultrapassar a área da correnteza forte para as aguas mais calmas; e ali ja quase em frente a praia do Cassino da Urca, me lembrei do Ricardo que vinha um pouco mais atrasado ...
Já preocupado e com a consciencia pesada por não tê-lo esperado no trajeto depois da praia Vermelha, resolvi voltar achando que ele poderia ter desistido e saído pela praia do Forte, até que o avistei remando bem mais aberto logo depois do lugar que eu tinha passado um "sufôco minutos antes ...
De longe ele gritou que tambem tinha passado pelo mesmo "sufôco" no mesmo lugar , e dali até a chegada no Iate foram menos do que 10' de remada tranquila com as luzes da cidade refletidas na agua espelhada entre os tantos barcos ali ancorados .

E, quando a respiração ja estava normalizada e vi o cronometro marcando 1'55" hs , eu imaginei que estava encerrada a aventura, até que fiquei em pé no limo da tal rampa dos barcos a vela e ao colocar a prancha na cabeça , eu não conseguia mais me mover para lado nenhum e com a sensação horrível de que ia dar um "looping" caso tentasse dar um passo ou mesmo meio , pra qualquer direção ...
Aí o coração disparou de novo, e eu me achei um idiota de não ter premeditado que com aquela maré baixa eu estaria pisando na pior parte do limo, que mais parecia um sabão ...
Fiquei imóvel durante 1 longo minuto até que , uuuufa ! consegui dar um pequeno passo sem escorregar e sair gritando para o Ricardo não subir ali pela rampa e sim pela borda do cais com a minha ajuda ...

Depois de saber que o Arnaldo , Bernardo e o Paulinho "Nêga" já tinham cansado de nos esperar e ido embora, deixamos os sups no hangar dos barcos , tomamos uma chuveirada e fomos de táxi até a Marina p/ encontrá-los no BOAT SHOW aonde curtimos uma visita a bordo de um veleiro espetacular da marca "JUNNEAU" (?!) , aonde nos esperava o representante e nosso amigo Jorge Bally "Perseg", também iatista veterano e piloto de asa delta quando eu ainda começava a bater as asas em 1978 ...

De lá voltamos ao Iate Clube para buscar os sups e comer um ótimo "buffet" para encerrar a noite felizes demais com essa aventura inédita e inesquecível para nós. Quando eu poderia imaginar que um dia eu percorreria essa longa distancia de pé em cima de uma prancha a remo, e que daquele dia até hoje eu surfaria tantas ondas e com tanta facilidade em todos os picos de surf que eu ja havia surfado de surfboard ao longo dessa majestosa e abençoada orla carioca ?!?!?!.... O sup surf é um esporte que porporciona uma sensação de bem estar físico muito intensa , e que certamente ajuda demais na liberação do "stress" inevitavelmente acumulado no cotidiano "nervoso" da mais maravilhosa das cidades no mundo inteiro ...

Agora, já no final de Fevereiro de 2010, eu me preparo para remar da ponta do Arpoador até as Ilhas Cagarras, para de lá seguir até as ilhas de Palmas, Tijucas; e finalizar com uma maravilhosa chuveirada na guarderia de pranchas na Praia do saudoso sócio e amigo Pepê Lopes O RIO DE JANEIRO CONTINUA LINDO; E SENDO (...)

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